O culpado pela demora.

No final da última semana fui procurado pela enésima vez por um cliente angustiado com um processo de loteamento.
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Relato de sempre: quatro anos parado, convicção de que o profissional que o atendeu até hoje é super enrolado e queria trocar, queria alguém que fizesse acontecer e recebeu meu nome por indicação. Acontece que me veio a memória que no ano passado, eu tive um contrato rescindido sem mais nem menos, porque o cliente desistiu do empreendimento, o que na época eu li como desânimo dele. Hoje, acho bem provável que ele tenha me achado enrolado também.
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É esse o ponto. O processo sai da mão de um profissional e vai para a de outro. Depois para um terceiro. Cada troca vem embalada na esperança de encontrar alguém que finalmente acelere as coisas. E a cada troca o relógio recomeça, porque o novo responsável precisa entender o que foi feito, refazer o que não serve e reapresentar.
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Enquanto isso, o inimigo real está solto. A demora NÃO ESTÁ no coitado do técnico que depende disso e sempre tenta fazer as coisas de um dia para o outro, está na fila que temos que pegar para tudo. Prazo de análise da prefeitura, do licenciamento ambiental, nas exigências que um técnico do órgão teve e o outro não concorda. Um loteamento no Brasil não demora anos porque é difícil de desenhar, demora porque atravessa uma cadeia de aprovações que só tem compromisso com essa burocracia burra entranhada nas entidades e autarquias. E a conta é sempre paga pelo comprador na ponta, que vai encontrar o lote mais caro quando ele enfim chegar ao mercado.
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A conclusão é: Existe o cara lento e ele precisa ser cobrado, mas trocar de profissional raramente encurta o caminho. Talvez procuramos equivocadamente o culpado dentro do escritório, quando na verdade ele está lá fora aguardando na fila.




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